Há silêncios que não explicam nada.
E a gente aprendeu a chamá-los de ausência.
Permanências
Tem lógica, tem forma, tem até aplauso.
É curioso como certas palavras, à primeira vista tão opostas, às vezes moram na mesma casa. Saudade e gratidão, por exemplo. Uma parece apontar para o que falta; a outra, para o que preenche. E, no entanto, há dias em que ambas se sentam lado a lado no mesmo banco de praça da alma, dividindo o mesmo silêncio.
Vez ou outra, me pego pensando em como seria bom levar uma vida simples. Uma dessas vidas minimalistas, sabe? Poucos objetos, poucos compromissos, a cabeça leve como um céu limpo. Quase sinto o cheiro do café coado, o som de passarinhos e o barulho das folhas ao vento. Mas aí abro a gaveta de talheres da cozinha e percebo que...

