Sobre Aniversariar

25/11/2024

Aniversariar é um verbo curioso. Ele carrega um peso quase cerimonial, como se todos os anos precisássemos atravessar um portal imaginário que nos empurra para frente, mesmo que não estejamos prontos. O dia chega, inevitável, e traz consigo um misto de expectativas, nostalgia e aquele lembrete incômodo de que o tempo não para.

Na infância, aniversariar era mágico. Era o dia do bolo com velas coloridas, dos presentes embrulhados em papéis brilhantes e da alegria inocente de ser o centro das atenções. A cada ano, um número a mais era motivo de orgulho – como se colecionar aniversários fosse um esporte em que só se ganha.

Mas, com o tempo, aniversariar muda de sabor. Os números deixam de ser motivo de festa e começam a carregar um peso simbólico. É estranho perceber como os parabéns, antes acompanhados de gritos e sorrisos, se tornam mensagens digitais curtas ou áudios enviados às pressas. "Feliz aniversário, muita saúde!" – como se saúde fosse o suficiente para preencher os espaços vazios deixados pelos sonhos que ainda não alcançamos.

Talvez, aniversariar seja isso: um balanço. É o momento em que somos forçados a encarar o espelho do tempo. Quantos desejos daquela lista mental se concretizaram? Quantos ficaram pelo caminho? E mais importante: ainda há tempo?

Ainda assim, há algo de belo no ato de aniversariar. É como um ponto e vírgula na história da vida. Um lembrete de que, mesmo com as falhas, com os dias difíceis e os anos que passaram rápido demais, ainda estamos aqui. Ainda respiramos, sentimos e temos a chance de recomeçar.

Aos 31, aniversariar é também olhar para trás. Lembrar das curvas inesperadas, das dores que deixaram marcas invisíveis e das vitórias que, por vezes, vieram em silêncio, longe dos aplausos. É perceber que os planos de cinco anos atrás não saíram como esperávamos, mas que, de alguma forma, estamos exatamente onde deveríamos estar.

Há uma dádiva especial nessa idade. É o privilégio de entender que o tempo não é nosso inimigo, mas um companheiro que ensina no ritmo dele. É descobrir que os sonhos podem ser adiados, mas não precisam ser abandonados. Que é possível celebrar os pequenos passos, como aquele dia em que o coração finalmente encontrou paz ou o momento em que aprendemos a dizer "não" sem culpa.

Aos 31, os aniversários já não trazem mais a inocência infantil nem a pressa impaciente da juventude. Eles pedem contemplação. Pedem que nos perguntemos o que queremos guardar e o que precisamos soltar. Pedem que olhemos para nós mesmos com menos julgamento e mais ternura, porque viver mais de três décadas é um feito. É um presente que muitos não chegam a abrir.

Aniversariar aos 31 é como caminhar ao entardecer: ainda há luz, mas ela está mais suave, mais madura. É o momento de agradecer pelo passado, abraçar o presente e, quem sabe, começar a sonhar um futuro diferente – não maior, não melhor, apenas mais alinhado com o que realmente sou.

Então, quando a próxima vela for acesa, que a gratidão seja maior que os lamentos. Porque completar 31 anos é um lembrete de que o tempo é um presente, e cada aniversário é mais uma chance de fazer valer a pena.