Pensamentos Insones

Sou uma notívaga nata e quase sempre me pego meditando sobre a vida durante as noites insones. Quem sou? Por que sou? Onde estou em minha vida? Para onde o caminho que escolhi seguir está me levando? Diferenciando desta base, hoje me veio a mente alguns questionamentos - que apesar de parecerem simples, carregam dentro de si uma grande complexidade – acerca do modo como nos comportamos em nosso dia a dia. Alguns destes, nós como sujeitos acostumados a uma constante supressão da própria personalidade em função da construção da imagem social, ao ler sentiremos automaticamente tentados a negar a prática de meros pensamentos com a clássica desculpa de que somos evoluídos.
Será que somos?
Sempre parto do pressuposto de que ninguém é totalmente evoluído, hora ou outra, algum pensamento "impróprio" - evolutivamente falando – passará pela mente. O que fará a diferenciação de um indivíduo para outro, será a capacidade de suprimir tais pensamentos e não deixar eles se manifestarem em forma de ações.
Dito tudo isso, leiam tal divagação com a mente aberta, se permita a chance de também embarcar em tais questionamentos e relaxem que ninguém vai ler seus pensamentos.
Observo que muitas vezes nos preocupamos muito com o que é circunstancial do que com o que realmente importa e aquece os nossos corações. Ao perceber tal coisa, sempre me pego reflexiva e questionadora sobre o porquê de isso acontecer.
Quais as circunstâncias que têm determinado nossas vidas? Será que o crescimento e sucesso de um amigo incomoda ao ponto de virarmos competidores deles? Como amigos não deveríamos apoiar uns aos outros?
Quais são as verdades que determinam nosso caráter? Qual a nossa atitude quando outras pessoas pensam mal de nós? Quando passamos a nos importar muito mais com nossas aparências do que com manter nossa integridade?
Este último questionamento sempre acaba me levando a um outro que particularmente considero mais difícil ainda de chegar a uma resposta digna: Será que a imagem, a aparência que temos de outras pessoas é somente uma fotografia, uma imagem que ela quer nos passar no derradeiro momento?
Sempre que alguém nos cumprimenta com o famoso questionamento Olá, Tudo bem, automaticamente somos impelidos a responder que está tudo a mil maravilhas, mesmo que por dentro estejamos em frangalhos, qual o problema que nos faz fechados para esconder nossos próprios sentimentos de outras pessoas (amigas próximas claro)? Desabafar ajuda e pode salvar nossas vidas, mas as vezes estamos tão presos em manter uma imagem de alguém centrado e estável que no final acabamos esquecendo de fazer um questionamento que vale ouro: O que vale mais, a minha aparência ou a minha saúde mental?
Se alguém aí fora no mundo tem respostas para estes enigmas, peço ao inconstante universo que um dia nos coloque frente a frente para que possamos discutir acerca da vida; mas enquanto isso não acontece, fica aqui uma pequena reflexão para ajudar a repensar sobre nossas ações e prioridades.