Para Sermos Lembranças

 Durante o último ano, todas semanas tenho tido estudos dirigidos com um mestre em psicologia comportamental que gosta de dizer o seguinte "No ramo profissional, você deve ser visto para ser lembrado" e quase sempre acabo por pensar o seguinte: E na minha vida social e pessoal, no meu cotidiano, esta máxima é real e verdadeira, ela deve ser efetivamente aplicada?

Ao levar para um nível pessoal, sempre fico estática quando começo a pensar nos porquês da questão. Porque é preciso sempre ser vista? Será que é por causa da síntese daquele velho ditado que diz "O que os olhos não vêem, o coração não sente"?

Neste mundo de Facebook, Instagram, Tumblr e mais outra dúzia de redes sociais, será que virou um erro tentar manter o privado, no privado? Desde quando ficou feio ser discreto, aliás, desde quando virou crime viver fora do status onde todos almejam chegar?

Baseada somente na minha humilde e (suponho eu) egrégia opinião, quando as pessoas vivem as margens de todo este conglomerado de redes sociais, acabam observando mais - e às vezes até demais - o que acontece com o povoado que o rodeia. Aqui não estou dizendo que isso é errado, na verdade o que quero apontar neste momento, é que quando você observa mais, você acaba aprendendo mais com os erros e acertos dos outros e consequentemente levando os mesmos como teoria para sua própria vida. Por exemplo, pode levantar questionamentos do tipo: Enquanto alguns relacionamentos perdem tempo nas redes sociais, por vezes a procura de algum tipo obscuro de reafirmação (acabamos de ver um claro exemplo desse tipo de relacionamento no decorrer da última semana com a tiazinha que largou o carinha e ia voltar a ser stripper - Deixo claro que não considero errado ela correr atrás da vida dela, só é demais se expor nas redes do modo que se expôs), qual o mal de estar sozinho, qual o mal de viver um relacionamento discretamente fora das redes?

É vivendo desse modo peculiar - a beira do que a nova sociedade considera correto - que vejo o que ocorre nas multidões. Quando chega alguém e sutilmente toma algum espaço em minha vida, todo o resto continua correndo quase como uma peça bem ensaiada onde todos sabem qual papel seguir. É o olhar que não desvia, e a boca de outra pessoa que deixa mistérios a serem descobertos. É saber que um rirá quando o outro rir e olhará bobo quando o outro disser algo que talvez não deveria. Tudo isso parece irreal, mas creio eu que ainda existe por aí pessoas que torcem para que isso aconteça, para que seja real.

Torço para que não deixem de acreditar, porque sou assim e num arroubo quase que raro de otimismo, espero que vocês também não percam essa esperança.

Por uma vida com menos exposição e muito mais emoções, para que quando alguém fizer a nova perguntinha famosa do Faceboook: "E fora do status como vai a vida?" possamos responder orgulhosamente com um "Vai muito bem obrigada".