Fé não é ânimo constante, é permanência
Existe uma ideia silenciosa de que fé saudável é sempre animada. Sempre confiante. Sempre pronta. Sempre com certeza no bolso. Mas isso não combina com a vida real.
Há dias em que a fé acorda cansada.
Não duvidosa. Apenas cansada.
E talvez o erro esteja em achar que isso é problema.
Ânimo varia. Permanência não.
Permanecer quando tudo em você gostaria de pausar.
Permanecer quando a resposta não veio.
Permanecer sem discurso, sem mostrar para ninguém que continua.
Na vida de qualquer um, ninguém caminha com constância de entusiasmo.
Todos tropeçam, se cansam, questionam. E ainda assim, seguem.
Fé não é sentir força o tempo todo.
É não desistir do caminho mesmo quando a força oscila.
E há esperança nisso.
Porque a permanência não exige brilho.
Só pede continuidade.
Um passo possível.
Um dia vivido.
Uma respiração consciente. Um gesto simples que diz: estou aqui.
Que a gente aprenda a não medir a fé pelo ânimo.
Que a gente continue mesmo quando o coração não acompanha com entusiasmo.
Permanecer também é espiritual.
E isso basta por hoje.
Com passos pequenos, seguimos.