Máscaras Morais em Tempos de Pandemia

Um Excerto escrito e publicado em meados de 2021 que ainda continua atual!
Vale a reflexão.
Há quem diga que a pandemia já acabou, mas qual pandemia? A pandemia do COVID, a pandemia do desamor, ou a pandemia do egoísmo?
Logo no começo da pandemia do Covid-19, recebi uma mensagem duma amiga que dizia o seguinte:
"Algo invisível chegou e colocou tudo no lugar.
De repente os combustíveis baixaram, a poluição baixou, as pessoas passaram a ter tempo, tanto tempo, que não sabem o que fazer com ele(...)".
Confesso que até então eu ainda cultivava uma visão otimista demais e realmente cria que as pessoas aproveitariam tal tempo para buscar o autoconhecimento, para melhorar como sujeitos sociais, que aprenderíamos a praticar a solidariedade e a ser mais empáticos. Mas contrariando tudo isso, o que vimos foi que a pandemia arrancou máscaras de muitas pessoas que como lobos em peles de ovelhas pregavam o bem e o bom, mas não passavam de seres egoístas que apreciam cultivar o desamor e a discórdia.
Tenho a sensação de que todo este tempo de isolamento social não caiu tão bem como deveria cair.
Tempo para pensar não faltou, tempo para promover a melhora não faltou; o que faltou foi a noção, a consciência, faltou parar para refletirmos em nossas ações, mas ao contrário do que deveria, este tempo foi usado para difundir o ódio pela internet, foi usado para pregar o desamor pelo diferente, foi usado para aglomerar, para criar ajuntamentos de pessoas nem aí para o bem-estar alheio.
Este último tópico é o que mais dói em mim. Dói saber que enquanto pessoas morriam tal qual folhas que caem no pré outono, havia outras duvidando da existência do vírus, duvidando da eficácia da vacina. Enquanto todos os dias cerca de 1000 famílias choravam a perda de seus entes queridos, havia os que estavam fazendo passeatas, aglomerando desnecessariamente contra uma vacina que poderia ter evitado a chegada destes números a tal patamar.
Deixo claro aqui que é obvio que a vacina não representa a imortalidade da pessoa, pois o que mais ouço é AH mas fulano faleceu depois de ter tomado vacina, então ela não foi efetiva.
Fato claro que devemos analisar o número total de casos e notar que após a imunização, os casos de morte caíram cerca de 65%. Será que foi ação da vacina? Ou o vírus que ouviu os protestos e saiu correndo?
Por quê? Por que lutar contra algo que nem é da sua área de conhecimento? É quase como pedir para que um mecânico fabrique seu sapato; que coloquem óleo de cozinha no seu tanque de combustível porque ele também é inflamável e por aí vai. Já viu um magistrado de geografia ir dar aulas de matemática aplicada? Então por que um contador, uma costureira, um motorista podem dar pitacos livremente acerca da eficácia da vacina?
Ainda cultivo em mim a esperança de que estas pessoas acordem de seus delírios e se livrem de suas crenças limitantes, para que possamos acabar com a pandemia do desamor, do egoísmo tão logo acabemos com a do COVID, pois enquanto a solução para o COVID é a vacina e os cuidados sanitários, a solução para a pandemia do desamor e do egoísmo é a constante reflexão da amplitude de nossos atos e atitudes enquanto membros de uma sociedade.
Enquanto isso sigo firme e forte repetindo um mantra (que até parece hipócrita porque nada está bem): Paciência! Tudo bem, isso não importa. Pois quando temos esperança num momento como o que estamos vivendo, acabamos por perceber algo muito real: A esperança tem o costume de ser bem triste.