Esperança

27/11/2024


Há dias em que tudo parece pesado. O noticiário traz problemas que parecem sem fim; as redes sociais gritam opiniões e conflitos; e, no meio disso tudo, a gente tenta seguir, um passo de cada vez, segurando a própria rotina como quem equilibra pratos em um fio de arame. Nesses dias, confesso que já me peguei pensando: como é que seguimos em frente? O que nos mantém andando, mesmo quando o chão parece querer nos engolir?

A resposta, acho, está em algo pequeno, quase invisível, mas absurdamente poderoso: a esperança.

A esperança é curiosa. Ela não resolve os problemas, não paga as contas e nem desfaz as dores do mundo. E, ainda assim, ela está lá, insistente, como uma brisa leve que nos sopra um lembrete: vai melhorar. Não sabemos quando, nem como, mas, de algum jeito, a esperança nos convence a continuar. Ela é, talvez, a forma mais silenciosa de resistência.

Outro dia, enquanto caminhava pela rua, passei por um jardim de flores que resistiam firmes ao sol de rachar. Eram pequenas, tímidas, mas estavam ali, insistindo em florescer. Fiquei olhando e pensei: talvez a esperança seja isso – a capacidade de continuar crescendo, mesmo quando o solo é duro e a água é pouca. É encontrar um motivo, por menor que seja, para continuar tentando.

Mas não se engane: esperança não é ingenuidade. Não é fechar os olhos para o caos ou acreditar que tudo vai se resolver como em um final de filme feliz. Esperança é um ato de coragem, porque ela nos obriga a encarar o presente e, ainda assim, acreditar no futuro. É como caminhar em uma estrada esburacada, mas com a certeza de que, lá na frente, há algo bom esperando.

Lembro de um momento da minha vida em que tudo parecia perdido. Um projeto importante tinha fracassado, e eu sentia que o mundo inteiro estava me observando, esperando que eu desistisse. A vontade de largar tudo era enorme, mas, lá no fundo, havia uma faísca que não apagava. Era pequena, quase imperceptível, mas estava lá, dizendo: tente mais uma vez. E eu tentei. Não foi fácil, nem bonito, mas, no fim, aquele esforço me levou a algo melhor. Hoje, olhando para trás, percebo que foi a esperança que me segurou, mesmo quando tudo parecia desmoronar.

O engraçado é que a esperança não precisa de muito para sobreviver. Às vezes, ela se alimenta de uma palavra amiga, de uma tarde ensolarada ou até de uma xícara de café quente em um dia difícil. É nesses pequenos momentos que ela se fortalece, nos lembrando de que nem tudo está perdido, de que sempre há algo pelo qual vale a pena lutar.

E, talvez, seja por isso que a esperança incomoda tanto em tempos de desespero. Ela é teimosa, indomável. Onde há gente esperando, há gente resistindo. Resistindo ao cansaço, ao pessimismo, ao medo de que as coisas nunca melhorem. A esperança nos desafia a seguir em frente, a reconstruir, a recomeçar.

Hoje, tento carregar essa lição comigo: mesmo quando o mundo parece escuro, sempre há uma pequena luz esperando para ser acesa. Pode ser uma palavra de incentivo, um gesto de bondade ou até uma ideia que surge em meio ao caos. Não importa o quão pequena pareça, a esperança sempre encontra um jeito de nos lembrar que há algo mais adiante.

Porque, no final das contas, a esperança não é só sobre o futuro – é sobre o agora. É sobre a decisão de continuar tentando, de acreditar, mesmo quando tudo parece contra. É, acima de tudo, sobre a coragem de resistir.