A Intolerância Nossa de Todos os Dias

O conceito básico vai nos dizer que intolerância é uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões. Em um sentido político e social, intolerância é a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos-de-vista diferentes.
Importante que a doutrina define a intolerância como uma atitude expressa, negativa ou hostil, em relação às opiniões de outros. A wikipedia, ainda que sem conotação científica, traduz a tolerância, por contraste à intolerância, pode significar "discordar pacificamente". Por exemplo, a emoção é um fator primário que diferencia intolerância de discordância respeitosa. A intolerância pode estar baseada no preconceito, podendo levar à discriminação, ao racismo, ao sexismo, ao antissemitismo e pior que tudo para a homofobia.
Tenho talvez, na redundância possível, estado intolerante com a intolerância. O ato de tolerar não nos exige concordar, mas respeitar posicionamento diferente. Para tanto, não posso exigir um pensar igual ao meu, nem agradar quem queira que eu pense como eles. Tolerar é mais difícil que ser intolerante, aceitar a diferença é mais difícil que encontrar os iguais. A diferença é necessária, seja de opinião, de gosto, orientações religiosas, sexuais; aceitar a diferença passou a ser diferente num mundo intolerante.
Há quem vai pensar que lá vem mais um discurso do pessoal dos "direitos humanos". Há quem vai se interessar, ler e gostar. Ou não. O objetivo não é que concordem com minha opinião, mas que minhas palavras sirvam, ao menos, como reflexão. Se causar inquietude, seja ela qual for, o objetivo foi alcançado.
Não são poucas as notícias de linchamentos, torturas (não só contra criminosos), crimes premeditados, corrupção, enfim. Sabemos bem os tempos obscuros em que vivemos. A vida está com muito pouco valor. A política está um caos. A integridade física é desmerecida a todo instante. O ódio e a intolerância espalham-se na mídia, nas conversas informais, na academia, nos corações.
Para minha pessoa o ápice é ver diversas pessoas (que se dizem cidadãos de bem) dizendo em uma publicações nas redes sociais que pai é quem tem o órgão reprodutor masculino, pai é quem nasce macho, entre outras tantas asneiras sem fim. Ver igrejas que ainda se usam do discurso que relacionamentos abençoados somente são os heteronormativos. Sempre que vejo publicações assim, fico pasma com o quão intolerante uma sociedade pode ser e começo a concatenar comigo mesma: Qual o problema de não seguir esta heteronormatividade que tu impõe? As pessoas esquecem que ser diferente, não é ser melhor, nem pior do que ninguém. É ser diferente. Simples assim. Quando o diferente não é aceito, aí surgem os problemas. Muita gente que tem o modelo de vida diferente do "comum" é marginalizada e sofre com o isolamento e discriminação. Perde o direito, a sua autoestima somente porque algum incel decidiu que a única forma "respeitável" de vida é a sua própria. Todo mundo erra, mas quem aplaudiu e continua aplaudindo tais atitudes, se coloca em nível igual ao destes juízes de vida alheia. O que ocorre, antes da falta de amor entre todos nós; e aqui é entre todos, mesmo; é a falta de empatia, senso e consciência.
Empatia é o ato de se colocar no lugar do outro. E é isso que nos falta, pois acusar, rir, tentar impor um modo de vida a outrem, sempre é mais fácil do que parar e pensar que por vezes a vida do amiguinho ao lado não é nossa para exercer controle, nossa atitude se iguala com a do "criminoso" que a gente deseja a pena de morte. Ninguém é melhor ou superior que ninguém.
A sociedade tem o péssimo costume de julgar quem foge da forma heteronormativa de ser como se fossem criminosos, porque convenhamos; sexualidade é um tabu na nossa sociedade. Dado isso, o que pode acontecer, é que os ditos cidadãos de bem cometem os delitos não perseguidos pelos ditos 'fiscais da sexualidade alheia" e, consequentemente, dignos de pena pela população julgadora da "boa moral', se acham superiores a muita gente.
Não podemos continuar sendo essa fábrica de intolerância, verdadeira escola da falta de empatia. Portanto, acredito que podemos repensar nossas atitudes, ideias e ideais, uma vez que, conforme dito anteriormente, atirar a primeira pedra sempre é mais fácil. De ódio e intolerância o mundo está cheio. Não adianta reclamar, sair inseguro e clamar pelo porte de arma, meu caro cidadão de bem, se tu ajudas a espalhar ódio por aí.
Vamos espalhar amor e respeito. Vamos resgatar os valores. Pensem no que vocês têm espalhado: amor, respeito, ódio ou intolerância? Reflitam sobre o que gostariam de colher, pois como diz aquele velho ditado: se colhe o que se planta. E não esqueçamos: o reflexo da sociedade somos nós mesmos.